A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova indicação para o uso do Mounjaro, medicamento originalmente autorizado para o tratamento da diabetes tipo 2. A partir desta segunda-feira (9), conforme publicação no Diário Oficial da União, o remédio também poderá ser prescrito para pacientes com obesidade, desde que associada a pelo menos uma comorbidade.
Comercializado no Brasil desde maio, o Mounjaro é apresentado em forma de caneta injetável e atua no controle dos níveis de glicose e no auxílio à perda de peso. Seu princípio ativo é a tirzepatida, mesma classe terapêutica da semaglutida, componente do Ozempic, com o qual concorre no mercado farmacêutico.
Alerta de possível efeito colateral
Um estudo recente publicado no JAMA Ophthalmology em 30 de janeiro chamou a atenção para potenciais efeitos adversos associados ao uso de medicamentos como Ozempic e Mounjaro. A pesquisa, conduzida por especialistas da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, documentou nove casos de perda parcial de visão em pacientes que utilizaram tirzepatida ou semaglutida.
Os participantes, com idades entre 37 e 77 anos, apresentaram sintomas como sombras visuais ou perda súbita da visão. Sete dos nove pacientes foram diagnosticados com neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NAION), condição que pode causar perda visual repentina, especialmente em pessoas com mais de 50 anos.
Um dos relatos é o de uma mulher diabética, na faixa dos 50 anos, que apresentou perda da visão em um dos olhos apenas um dia após a primeira dose de semaglutida. O quadro foi revertido após a interrupção do tratamento. Outro caso envolveu uma paciente de 30 anos que relatou sintomas visuais após iniciar o uso da medicação.
Embora os pesquisadores não tenham estabelecido uma relação causal direta entre o uso dos medicamentos e os problemas oculares, apontam a coincidência temporal e sugerem que a rápida normalização da glicose pode estar relacionada aos efeitos observados.































