PL Da Devastação: Saiba Como Os Deputados Baianos Votaram

A Câmara dos Deputados aprovou, na quarta-feira (16), o projeto que cria a nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental. O texto, que tramitava há mais de duas décadas no Congresso, teve 267 votos favoráveis e 116 contrários, e segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pode vetar trechos da proposta.

A nova legislação promove uma reformulação completa no processo de obtenção de licenças ambientais no Brasil. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) defende a proposta sob o argumento de que ela vai agilizar obras consideradas estratégicas.

Entidades ambientalistas e o Ministério do Meio Ambiente alertam, porém, para riscos de aumento da degradação ambiental, da impunidade e da desproteção a comunidades tradicionais. O projeto foi aprovado com apoio majoritário da bancada ruralista e de partidos como PL, PP, Republicanos, União Brasil e PSD. Parlamentares do PT, PSOL, PCdoB, PV e Rede votaram contra.

Mesmo com orientação contrária do líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), partidos da base tiveram votos divergentes ou liberaram suas bancadas.

O texto aprovado promove mudanças em sete pontos centrais:

  • Licença Ambiental Especial (LAE): permite acelerar a autorização de obras classificadas como estratégicas, mesmo com alto potencial de degradação. O prazo máximo para emissão é de 12 meses, com validade de cinco a dez anos.
  • Dispensa de licenciamento: elimina a exigência de licenças para atividades como ampliação de estradas, agropecuária, tratamento de água e esgoto, e pequenas barragens de irrigação. A exigência se mantém apenas para aterros sanitários.
  • Renovação automática: autoriza a renovação de licenças por autodeclaração, desde que não haja alteração na atividade ou na legislação vigente.
  • Autodeclaração nacionalizada: permite que o empreendedor declare online o cumprimento das normas ambientais, sem análise prévia dos órgãos reguladores. A medida, antes adotada em alguns estados, passa a valer em todo o país.
  • Redução do poder de órgãos federais: transfere a responsabilidade do licenciamento para estados e municípios, reduzindo a atuação do Ibama e do Conama. O texto também enfraquece a Lei da Mata Atlântica, abrindo caminho para o desmatamento em florestas primárias e secundárias.
  • Desproteção de comunidades tradicionais: exclui terras indígenas e quilombolas não homologadas do rol de áreas protegidas no processo de licenciamento. Segundo o Instituto Socioambiental, a mudança pode afetar cerca de 18 milhões de hectares.
  • Ameaça a sítios arqueológicos: restringe a atuação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que só poderá se manifestar se já houver bens tombados no local. A Sociedade de Arqueologia Brasileira alerta para o risco de perdas irreversíveis.

Dos 39 deputados federais da Bahia, 14 votaram a favor e 13 foram contrários ao projeto em pauta na Câmara. Outros 12 parlamentares não registraram presença na sessão e, portanto, não votaram.

Confira como cada um se posicionou:

Votaram a favor do projeto:

  • Arthur Maia (União Brasil)
  • Capitão Alden (PL)
  • Cláudio Cajado (PP)
  • Dal Barreto (União Brasil)
  • Diego Coronel (PSD)
  • Félix Mendonça Jr. (PDT)
  • João Leão (PP)
  • Leur Lomanto Jr. (União Brasil)
  • Márcio Marinho (Republicanos)
  • Neto Carletto (Avante)
  • Otto Filho (PSD)
  • Paulo Magalhães (PSD)
  • Raimundo Costa (Podemos)
  • Rogéria Santos (Republicanos)

Votaram contra o projeto:

  • Afonso Florence (PT)
  • Alice Portugal (PCdoB)
  • Bacelar (PV)
  • Charles Fernandes (PSD)
  • Daniel Almeida (PCdoB)
  • Gabriel Nunes (PSD)
  • Ivoneide Caetano (PT)
  • Joseildo Ramos (PT)
  • Leo Prates (PDT)
  • Pastor Isidório (Avante)
  • Valmir Assunção (PT)
  • Waldenor Pereira (PT)
  • Zé Neto (PT)

Não votaram (ausentes na sessão):

  • Adolfo Viana (PSDB)
  • Alex Santana (Republicanos)
  • Antonio Brito (PSD)
  • Elmar Nascimento (União Brasil)
  • João Carlos Bacelar (PL)
  • Jorge Solla (PT)
  • José Rocha (União)
  • Lídice da Mata (PSB)
  • Mário Negromonte Jr. (PP)
  • Paulo Azi (União Brasil)
  • Ricardo Maia (MDB)
  • Roberta Roma (PL)