Salvador e a Região Metropolitana registraram 133 tiroteios em julho, segundo o Instituto Fogo Cruzado. Os episódios deixaram 101 pessoas mortas e 30 feridas. Em comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve redução de 14% no número de tiroteios, mas aumento de 13% no total de baleados.
A capital baiana concentrou a maioria dos registros: 93 tiroteios, 67 mortos e 26 feridos. Também tiveram destaque Camaçari (11 tiroteios e 9 mortos), Dias D’Ávila (9 tiroteios e 8 mortos) e Lauro de Freitas (8 tiroteios, 7 mortos e 1 ferido).
Quase metade das ocorrências (47%) aconteceu durante ações e operações policiais. Seis tiroteios foram motivados por disputas entre grupos armados, e 10 ocorreram em perseguições. Houve ainda episódios com vítimas dentro de bares, carros, transportes públicos, eventos e residências. Em casas, 10 pessoas foram mortas — metade delas em ações policiais.
Entre os mortos, 94 eram homens e sete mulheres. Já entre os feridos, há registro de uma mulher trans e uma pessoa sem identificação de gênero. Cinco adolescentes morreram e um foi ferido. A maioria das vítimas baleadas era negra (59), embora 68 pessoas não tenham tido o recorte racial identificado.
O Instituto também destaca a ocorrência de chacinas, com 14 mortos, e um caso de bala perdida. Três agentes de segurança e uma liderança religiosa também figuram entre os feridos.
De acordo com a coordenadora regional do Fogo Cruzado, Tailane Muniz, o levantamento permite entender padrões antes invisíveis. “A violência armada está diretamente ligada à falta de transparência e à deficiência de dados de qualidade. Sem essas informações, é impossível construir políticas públicas eficazes de proteção à população”, afirma.
































