CE: condomínios terão que denunciar casos de violência contra PcD

A partir de dezembro, condomínios do Ceará, residenciais e comerciais, terão que denunciar atos ou ameaças de violência contra pessoas com deficiência. A medida está prevista em lei sancionada pelo governo do estado. O especialista em administração condominial, Gustavo Lima, avalia a determinação e diz se são comuns essas ocorrências.

“Ainda são bem raras, mas quase sempre eles ficam escondidos, porque muita das vezes esses casos acontecem dentro do próprio apartamento, e acabam sendo vistos como assuntos familiares. Mas o problema é que, na prática, o condomínio pode sim ser cenário de situações de negligência, abandono ou até mesmo agressões contra pessoas com deficiência, especialmente quando elas dependem de cuidadores ou familiares. O que essa nova lei traz é tirar o assunto da invisibilidade. Isso ajuda, protege as vítimas e mostra que todo mundo, síndico, morador e funcionários, pode ter um papel importante na prevenção e no combate a esse tipo de violência”.

A lei determina que as denúncias devem ser feitas de imediato, por ligação telefônica ou aplicativo móvel, nos casos de ocorrência em andamento, ou então no prazo de 48 horas após a ciência do fato.

Gustavo Lima, especialista em administração condominial, dá orientações.

O síndico, ele não precisa investigar nada. Mas ele tem uma obrigação de agir quando perceber algo de errado. Conhecer a lei é fundamental para um gestor, repassar esse conhecimento para toda a equipe, até moradores, por meio de comunicados, em assembleia”.

Conforme o censo do IBGE de 2022, o Ceará tem cerca de 766 mil pessoas com deficiência, 8,9% da população.