Militar é Investigado Por Vender Munições E Granadas A Grupo Criminoso Na Bahia

A Megaoperação Reino Oculto, deflagrada pela Polícia Civil da Bahia nesta quinta-feira (10), desarticulou um esquema interestadual envolvendo tráfico de drogas, armas e munições, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A ação resultou na prisão de 33 pessoas e na apreensão de drogas, armas, veículos, joias e dinheiro.

Segundo a investigação, o grupo movimentava mais de R$ 4 milhões. Foram apreendidos 17 quilos de entorpecentes, entre cocaína, maconha, MDMA, haxixe e Ice, além de uma pistola, réplicas de armas, 66 munições, quatro carros, três motocicletas, celulares, notebook, balanças, anotações, mais de R$ 83 mil e US$ 470.

Das 33 prisões, 26 ocorreram em Salvador, duas em Juazeiro e Senhor do Bonfim, três em Sergipe e uma em São Paulo. O apontado como líder do grupo foi preso em um condomínio de alto padrão, em Itapuã. Segundo a polícia, ele articulava atividades criminosas com grupos de outros estados.

A investigação também identificou uma funcionária de uma empresa de transporte de encomendas suspeita de usar o serviço para transportar drogas entre estados. As cargas eram escondidas em falsas encomendas, principalmente dentro de eletrodomésticos.

Cabo do Exército é investigado

A apuração chegou ainda ao cabo do Exército Deivison dos Santos Ferreira, lotado no Sexto Batalhão de Polícia do Exército, em Salvador. Ele é suspeito de fornecer armas, munições e granadas a integrantes do tráfico.

Segundo a investigação, o militar teria vendido cerca de mil munições de fuzil para um dos grupos criminosos. Ele já estava preso por determinação da Justiça Militar e também é investigado pelo desaparecimento de coletes balísticos.

A conexão com o grupo foi identificada a partir da análise de celulares apreendidos em abril, em uma casa usada para armazenar e preparar drogas em Itapuã.

A principal linha de investigação aponta que munições e granadas teriam sido desviadas durante exercícios militares. Os investigadores suspeitam que materiais que deveriam retornar ao paiol tenham sido retirados do controle oficial e que registros de estoque tenham sido alterados.

Mensagens analisadas pela polícia fazem referência a treinamentos em Paulo Afonso e à intenção do militar de obter mais material após as atividades.

O cabo também teria oferecido pistolas e fuzis a integrantes da organização. Ainda não há confirmação de que essas armas tenham sido desviadas do Exército.

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