Projeto Cuida Chagas da Fiocruz faz busca casos de infecções de bebês

Após cinco anos de atuação, o projeto internacional “Cuida Chagas”, liderado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), encerrou suas atividades de campo. A iniciativa visa o cuidado, tratamento e diagnóstico da Doença de Chagas congênita, em populações vulneráveis de 31 municípios do Brasil, Bolívia, Colômbia e Paraguai.

Transmitida de mãe para filho na gravidez ou parto, a infecção é provocada pelo parasita Trypanosoma cruzi.

Por meio da parceria da Fiocruz com unidades de pesquisa dos quatro países, o projeto examinou 81 mil pessoas, confirmando mais de 2.600 diagnósticos.

O desafio é o fato de a maioria dos recém-nascidos com a doença não apresentar sintomas comuns à infecção, como prematuridade, baixo peso ao nascer e aumento do fígado e do baço.

Além de levar cuidados primários de saúde a comunidades, o “Cuida Chagas” construiu estratégias de busca ativa de casos, contribuiu para a capacitação de profissionais de saúde e formação de lideranças comunitárias.

Para a pesquisadora Andréia Silvestre, o projeto mostrou que é possível combater a Doença de Chagas congênita por meio do SUS, com ações focadas justamente na atenção primária. Ela explica que o projeto deixou um legado.

“O projeto deixa como legado caminhos concretos para integrar testagem de mulheres em idade fértil, gestante, às rotinas dos serviços, fortalecer o acompanhamento das crianças expostas à transmissão vertical, descentralizar a coleta de exames, organizar fluxos entre atenção primária, vigilância, laboratório, serviços especializados e ampliar o acesso ao tratamento e ao cuidado integral”.

Para fortalecer a etapa de diagnóstico, os médicos incorporaram medidas, como a triagem e acompanhamento de recém-nascidos. Outra ação inovadora foi a introdução da PCR, teste que detecta o DNA do parasita causador da doença na corrente sanguínea, permitindo o tratamento já nos primeiros meses de vida, quando há grandes chances de cura.

No entanto, Andréia Silvestre explica que implementar novas estratégias de combate não significa apenas introduzir testes.

“É preciso, antes de tudo, formar profissionais, adaptar os processos às diferentes realidades territoriais e construir soluções junto com as equipes locais, com as pessoas acometidas e também com as comunidades. A nossa experiência mostrou que a participação social é uma parte essencial do cuidado. Quando as pessoas acometidas compreendem melhor a doença, conhecem seus direitos, elas podem participar mais ativamente das decisões sobre sua saúde e também contribuir para enfrentar”.

Ela também aponta que as ações do projeto não se limitaram às unidades de saúde.

“Essa mobilização ultrapassou todos os serviços de saúde. Em alguns municípios, permitimos a criação de leis e políticas locais que incorporam a doença de chagas em suas agendas públicas. Essas são conquistas muito relevantes porque ajudam a dar continuidade às ações e a transformar essas iniciativas que foram realizadas através do projeto em compromissos que sejam permanentes nos territórios”. 

Segundo a Fiocruz, com o encerramento das atividades de campo, o “Cuida Chagas” passa para uma nova fase: a de análise dos dados coletados, para transformar as pesquisas em ações concretas de desenvolvimento do sistema de saúde. 
 


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