Black Friday Deve Movimentar R$ 5,4 Bilhões E Atingir Maior Volume De Vendas Em 15 Anos

A pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que a Black Friday deste ano deve registrar o maior volume de vendas desde 2010. A projeção indica que os consumidores brasileiros devem gastar cerca de R$ 5,4 bilhões na data.

Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o cenário geral ainda inspira cautela, com incertezas externas e endividamento elevado das famílias, mas mesmo assim o varejo tende a apresentar crescimento. Ele ressalta que o avanço poderia ser maior caso houvesse maior isonomia tributária entre produtos vendidos no Brasil e importados. Segundo Tadros, a queda do dólar ajuda a controlar a inflação, mas também estimula o aumento de remessas internacionais, o que limita o desempenho do comércio nacional.

O crescimento projetado de 2,4% em relação à Black Friday de 2024 é influenciado por três fatores principais:

Cotação do dólar mais favorável

Nos últimos 12 meses, o câmbio recuou 8,3%. A cotação atual, abaixo de R$ 5,30, melhora o poder de compra do real, em contraste com novembro de 2024, quando o dólar se aproximava de R$ 5,80.

O mercado de trabalho segue em trajetória positiva, com o menor nível de desemprego da série histórica do IBGE. A massa real de rendimentos cresceu 5,5% no segundo trimestre deste ano, influenciando o desempenho do varejo.

Endividamento limita expansão

Apesar do ambiente um pouco mais favorável ao consumo, o custo elevado do crédito deve frear um aumento mais robusto nas vendas. A taxa média de juros para pessoas físicas chega a 58,3% ao ano, o maior patamar para o período desde 2017. A CNC aponta ainda níveis recordes de famílias com contas em atraso (30,5%) e sem condições de quitar dívidas (13,2%).

Três segmentos devem concentrar mais de dois terços (68%) do faturamento da Black Friday:

• hiper e supermercados (R$ 1,32 bilhão)
• eletroeletrônicos e utilidades domésticas (R$ 1,24 bilhão)
• móveis e eletrodomésticos (R$ 1,15 bilhão)

Também devem registrar forte movimentação os setores de vestuário e acessórios (R$ 0,95 bilhão) e o de farmácias, perfumarias e cosméticos (R$ 0,38 bilhão).