Dois dias após o prazo estabelecido pela Prefeitura para a desmontagem das estruturas do Carnaval de Salvador, moradores e frequentadores da orla ainda convivem com obstáculos nas calçadas, trânsito de caminhões e estruturas metálicas espalhadas ao longo do circuito Barra-Ondina.
Imagens registradas neste domingo (1º) pela equipe do Portal Taktá mostram que camarotes ainda mantêm partes de suas estruturas erguidas, o que, segundo frequentadores da região, prejudica a mobilidade de pedestres, ciclistas e corredores, além de levantar preocupações relacionadas à segurança.
A legislação municipal determina que as estruturas temporárias instaladas para o Carnaval devem ser desmontadas dentro do prazo estipulado após o fim da festa. O descumprimento pode resultar em multa diária de R$ 2.500, conforme prevê o decreto que regulamenta a ocupação de áreas públicas durante o evento.
Entre os espaços que ainda apresentavam estruturas montadas neste domingo estão o Camarote Salvador, o Camarote Club, o Camarote Glamour e o Camarote Brahma.
Multa x valor dos ingressos
O atraso na desmontagem também levanta questionamentos sobre a efetividade da multa aplicada pela legislação municipal. Enquanto o valor diário pelo descumprimento é de R$ 2.500, os ingressos vendidos por alguns desses camarotes durante o Carnaval alcançam cifras muito superiores.
No Camarote Salvador, por exemplo, os ingressos para o Carnaval de 2026 chegaram a variar entre R$ 2.750 e R$ 4.235 por dia. Já no Camarote Club, os valores ficaram entre R$ 1.250 e R$ 1.920, enquanto o Camarote Glamour comercializou acessos por cerca de R$ 830.
Diante dessa diferença, moradores e frequentadores da região questionam se a penalidade financeira realmente funciona como mecanismo de pressão para cumprimento dos prazos.
Foto: Taktá
Reclamações
Para quem utiliza a orla para atividades físicas, a situação tem causado transtornos. O corredor Rodolfo Aquino, que treina todos os domingos entre a Pituba e o Farol da Barra, relata que o problema começa antes mesmo da festa.
“Muito tempo antes do Carnaval começar a gente já vinha sendo incomodado com a montagem desse mundo de camarotes. Mas acabou. E o que eu vejo na orla é um verdadeiro canteiro de obras a céu aberto. Guindaste, caminhão, ferro espalhado… e no meio disso tudo, ciclista, criança, corredor. É um desrespeito”, afirmou.
Moradora da Barra há cinco décadas, a aposentada Amália Sobreira também critica a ocupação prolongada do espaço público. “Eles podem ser donos dos camarotes, mas não são donos do espaço público. Podem ter o dinheiro que for, a lei é pra eles também”, disse.
O que diz a prefeitura?
O secretário municipal de Desenvolvimento e Urbanismo, Sosthenes Macedo, afirmou que equipes da secretaria seguem realizando vistorias para garantir que as estruturas sejam retiradas.
“Também há mais dez dias para a recuperação das áreas públicas que foram utilizadas e que, porventura, tenham sofrido algum tipo de depreciação. Nossas equipes da Sedur vêm realizando vistorias ao longo de toda a semana justamente para garantir que essas estruturas sejam retiradas o mais breve possível”, declarou.
Segundo a Prefeitura, todos os camarotes que ainda estiverem com estruturas montadas serão notificados e poderão sofrer as sanções previstas em lei, incluindo a aplicação de multa diária.
O Portal Taktá entrou em contato com os camarotes citados na reportagem para questionar por que as estruturas ainda permaneciam erguidas neste domingo (1º). Até o fechamento desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para responderem.































