Câncer de pulmão: pesquisa aponta frequência de mutação do gene EGFR

Um estudo com pacientes com câncer de pulmão no Amazonas identificou uma frequência elevada de mutações do gene EGFR. A alteração pode ter impacto na definição do tratamento e reforça a importância do diagnóstico molecular na região. Os resultados foram apresentados pelo oncologista clínico William Fuzita durante a Conferência Mundial de Câncer de Pulmão, promovida pela Associação Internacional para o Estudo do Câncer de Pulmão. A pesquisa analisou o perfil molecular de pacientes amazonenses e identificou características que, segundo os pesquisadores, diferem das observadas em outras populações brasileiras.

“A principal mutação encontrada foi a mutação no gene EGFR, que no estado do Amazonas foi para 46% aproximadamente, quando que a gente compara com a média nacional é de 20 a 23%”.

Esse tipo de exame permite identificar características específicas do tumor e, em determinadas situações, ajuda a definir se o paciente pode se beneficiar de terapias direcionadas. Segundo William Fuzita, conhecer o perfil genético dos tumores encontrados no Amazonas pode contribuir para uma abordagem mais individualizada dos pacientes.

“E por que ela se mostra diferente do resto do Brasil. Principalmente pela ancestralidade, muito provavelmente pela grande parcela da população ter descendência indígena e andina”.

Os dados ganham importância diante da previsão do Instituto Nacional do Câncer. A estimativa é de cerca de 320 novos casos de câncer de traqueia, brônquios e pulmão no Amazonas em 2026. Com a identificação das características genéticas do tumor, os médicos podem ter mais informações para avaliar, quando indicado, opções de tratamento direcionado para cada paciente.


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