Caso de raiva em cão no Rio acende alerta para prevenção da doença

Um novo caso de raiva em cães foi confirmado em Santa Cruz, bairro da zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, em agosto deste ano. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde do Rio (SES-RJ), o cão tinha histórico de contato com morcegos. A variante do vírus que o infectou ainda está sob análise.

Em nota, a Prefeitura do Rio afirmou que a Secretaria Municipal de Saúde realizou investigação epidemiológica e identificou as pessoas que tiveram contato com o animal. Elas receberam tratamento preventivo e foram monitoradas. O cão precisou ser sacrificado. 

Segundo a prefeitura, a raiva encontra-se sob controle em áreas urbanas, mas o vírus causador segue em circulação, principalmente em ambientes silvestres. Entre 2021 e 2022, o Instituto Municipal de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman, referência em tratamento da raiva no Rio, confirmou dois diagnósticos em cães, um em Maricá e outro em Duque de Caxias.

A raiva é causada pelo vírus do gênero Lyssavirus, e é transmitida por meio da saliva, arranhões e lambidas de animais infectados – como cães, gatos, morcegos, entre outros. Assim que infecta o organismo humano, o vírus pode levar, em média, 45 dias para manifestar sintomas – que podem começar com náuseas e dores de cabeça e evoluir para febre alta, espasmos e convulsões. 

O novo caso redobrou a atenção sobre a circulação do vírus da raiva devido à gravidade da doença, que tem taxa de letalidade próxima de 100%.

A Secretaria informou também que entre janeiro e julho deste ano foram contabilizados mais de 28 mil atendimentos nas unidades públicas de saúde no estado fluminense, envolvendo pessoas que sofreram agressões de animais com risco de transmissão da raiva. A maior parte deles envolveu cães e gatos, mas os registros também incluem contato com morcegos e micos. 

Segundo o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ), nas últimas décadas, foram registrados dois óbitos por raiva em humanos no estado. Um em São José do Vale do Rio Preto, na Região Serrana, em 2006; e outro em Angra dos Reis, na Costa Verde, em 2020. O presidente do Conselho, Diogo Alves, passa orientações de prevenção…

“A vacinação de cães e gatos é uma das principais medidas de prevenção e controle da raiva. A orientação é manter a vacinação dos animais extremamente em dia. Para as pessoas, também é recomendado evitar o contato com animais desconhecidos, feridos, doentes ou com comportamento alterado, além de não permitir que cães e gatos tenham contato com morcegos ou animais silvestres”.

Diogo Alves alerta também para a importância de jamais tocar em morcegos ou outros animais silvestres…

“A pessoa não deve tocar, capturar, matar ou tentar remover o morcego por conta própria. Se possível, deve isolar o animal sem tocá-lo, utilizando um balde, uma caixa de papelão ou um pano limpo e seco. Em seguida, deve acionar imediatamente o serviço de zoonoses do município, como o centro de controle de zoonoses, a vigilância ambiental, a vigilância sanitária, para solicitar o recolhimento desse morcego”.

Em casos de mordidas, arranhões, lambidas ou outras lesões na pele, é preciso lavar a região com água corrente e sabão, e procurar atendimento médico o mais rápido possível.

Cães ou gatos domésticos envolvidos em agressões com possíveis animais infectados devem permanecer em observação por 10 dias. Alterações no comportamento ou enfermidades devem ser informadas ao serviço de saúde municipal. 

*Sob supervisão de Fábio Cardoso


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