O deputado estadual Samuel Júnior (Republicanos) voltou a criticar a criação de uma secretaria específica para tratar da ponte Salvador-Itaparica. Em entrevista após presidir a sessão desta terça-feira (16) na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), o parlamentar questionou a iniciativa do governo estadual e afirmou que a medida pode ser apenas um artifício político para adiar novamente o andamento do projeto.
Segundo ele, a oposição foi avisada de última hora sobre a participação do Secretário da Casa Civil do Governo, Afonso Florence, em explanação na Assembleia, o que, em sua avaliação, demonstra a falta de interesse do governo em dialogar com os parlamentares oposicionistas.
“Se avisa em cima da hora, por certo não quer a participação dos deputados de oposição. Mas respeito os colegas que desejarem participar”, disse.
Samuel lembrou que a discussão sobre a ponte já se arrasta há quase duas décadas, sem que a obra tenha saído do papel. “É um assunto que vem se arrastando há quase vinte anos. Agora o governo apresenta uma secretaria para fazer uma ponte. Imagine se todas as obras tivessem uma secretaria criada só para elas. Será apenas para acomodar alguém ou algum partido?”, questionou.
O deputado também levantou dúvidas sobre a real intenção da medida, sugerindo que pode se tratar de uma estratégia para enfraquecer a Secretaria de Infraestrutura, atualmente comandada pelo secretário Sérgio Brito, que é da legenda PSD, aliado do governo.
Para ele, o novo órgão não se justifica, já que o Estado já possui estrutura para conduzir o projeto. Em comparação a outros modelos de gestão, como em São Paulo, o parlamentar destacou que há diferenças de contexto.
“Lá você cria uma secretaria para algo que já vai ser executado. No caso da ponte, é um caminho invertido. Acho que a secretaria é muito mais um pano de fundo para empurrar o assunto por mais quatro anos”, afirmou.
O parlamentar frisou ainda que não há qualquer acordo da oposição sobre a votação da nova secretaria. Segundo ele, a única pauta discutida em consenso até agora foi a dos precatórios. “Não há nenhum tipo de acordo. Nenhum outro projeto tem acordo com a oposição”, reforçou.
Por fim, Samuel Júnior defendeu a criação de uma comissão, em vez de uma secretaria, para acompanhar a execução da obra. “Deputados não geram despesa extra, já que já têm suas estruturas. Mas, ao criar uma secretaria, haverá nomeação de secretário, equipe e estrutura — ou seja, novas despesas desnecessárias. Uma comissão mostraria que o governo realmente quer tirar a ponte do papel”, concluiu.

































