“Ele Estava Rendido”; Moradores Contestam Versão Da PM Sobre Morte De Jovem

A morte de Caíque dos Santos Reis, de 16 anos, baleado durante uma ação da Polícia Militar (PM-BA) no bairro de São Marcos, em Salvador, gerou uma onda de protestos e denúncias contra os agentes envolvidos. A versão da corporação, que relatou troca de tiros, é veementemente contestada por moradores e pela família da vítima.

Segundo relatos de moradores, Caíque, que era estudante e trabalhava como barbeiro, foi baleado após já estar rendido e com as mãos na cabeça. Uma moradora afirmou que o adolescente foi atingido sem oferecer risco. “Eles chegaram correndo e o menino parou [Caíque], mas eles mandaram correr e atiraram na perna dele. Depois, pegaram ele e outro homem que eu não sei quem é e levaram para o beco. Lá teve mais tiros, executaram ele sem necessidade, o menino não entrava em nada de crime”, garantiu a mulher.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram moradores revoltados com os policiais no momento em que Caíque e o outro homem eram conduzidos à viatura, já desacordados e com os corpos cobertos.

A mãe de Caíque, Joselita dos Santos Cruz, refuta a versão de confronto. Ela assegura que o filho não participou de nenhum tiroteio. ”O menino estava andando e eles mandaram colocar as mãos para cima. Quando ele colocou, deram um tiro na perna da criança e depois levaram lá para dentro, deram um bocado de tiros e disseram que foi troca de tiros. Colocaram ele como traficante que foi encontrado com armas e drogas. Meu filho não traficava, não fazia nada disso”, desabafou Joselita.

Em seu posicionamento, a PM informou que as equipes faziam patrulhamento quando foram recebidas a tiros. Após o confronto, os dois suspeitos foram socorridos e levados ao Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), mas não resistiram aos ferimentos. A corporação também afirmou que, durante a ação, foram apreendidas uma pistola calibre 9 mm, um revólver e porções de maconha, cocaína e crack.

Todo o material apreendido foi encaminhado à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que é responsável pela investigação do caso.