Por Guilherme Rios*
Uma família denuncia possíveis falhas e negligência no atendimento médico prestado à idosa Delsuita Glória dos Santos, de 91 anos, conhecida como Dedé, em unidades de saúde de Salvador e pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O relato foi feito pela internacionalista Rafaela Pinto, sobrinha-neta da idosa, que afirma que a tia-avó, enfrenta sucessivos episódios de fragilidade cardíaca sem a devida investigação clínica por parte da rede pública de saúde.
Recentemente, a família procurou o atendimento de urgência após picos de mal-estar na UPA dos Barris. Conforme o relato, mesmo diante da idade avançada da paciente e do histórico cardíaco grave, Delsuita teria passado por exames básicos e sido liberada, sob a justificativa de que a família deveria procurar um profissional de cardiologia. A família questiona a falta de aprofundamento diagnóstico, ressaltando que os sintomas não são contínuos, mas intermitentes, o que exige maior atenção clínica.
A denúncia também inclui um episódio envolvendo atendimento do Samu, no qual familiares questionaram a recusa em analisar exames anteriores da paciente. “Ouvir que ‘o passado não importa’ no caso de uma senhora de 91 anos é inadmissível”, afirma Rafaela.
Segundo Rafaela, Delsuita sofreu um infarto em 30 de março de 2023, ocorrido em casa. Na ocasião, a idosa foi levada a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), após apresentar sintomas compatíveis com ataque cardíaco. No entanto, de acordo com o relato, a médica responsável pelo atendimento inicial teria informado que os exames não apresentavam alterações significativas e liberou a paciente. “Só depois de muita insistência minha é que um novo exame foi feito, e aí sim o infarto apareceu”, afirma Rafaela. A idosa acabou sendo internada após a confirmação do diagnóstico.
Rafaela destaca ainda que avaliações externas feitas por cardiologistas, incluindo um médico particular que acompanha a idosa e outro profissional consultado de forma independente, apontaram riscos iminentes à vida de Delsuita, recomendando atendimento emergencial e mudança imediata no plano de cuidados. A família afirma possuir laudos e exames que confirmam o comprometimento cardíaco e cobra uma apuração rigorosa sobre a conduta médica adotada nas unidades de saúde envolvidas, além de mais atenção e responsabilidade no atendimento a pacientes idosos com histórico grave.
A redação do Portal Taktá entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde, a fim de esclarecimentos acerca do assunto. A pasta informo que as unidades de pronto atendimento do município seguem protocolos nacionais de assistenciais baseados em critérios técnicos. Sobre o diagnóstico de “ansiedade” apontado pela família por parte da equipe do Samu, a pasta ainda não respondeu. Segue a nota na íntegra:
A Secretaria Municipal da Saúde de Salvador esclarece que a paciente, de 91 anos, deu entrada na UPA dos Barris com queixa de falta de ar, sendo prontamente acolhida e assistida pela equipe multiprofissional da unidade.
Conforme os protocolos assistenciais adotados nacionalmente nas Unidades de Pronto Atendimento — que têm como finalidade principal a avaliação inicial, estabilização clínica e definição da conduta adequada — a paciente foi submetida à avaliação médica, recebeu medicação, permaneceu em observação e apresentou melhora do quadro clínico durante o acompanhamento na unidade.
Após a estabilização, não foi identificada, naquele momento, indicação de internamento hospitalar de urgência. A paciente recebeu alta médica com orientação expressa para acompanhamento ambulatorial especializado, conduta compatível com casos de doenças crônicas, cujo seguimento deve ocorrer de forma contínua na rede assistencial, preferencialmente em serviços ambulatoriais especializados.
A Secretaria reforça que todas as Unidades de Pronto Atendimento estão orientadas a seguir protocolos assistenciais baseados em critérios técnicos, e permanece à disposição para esclarecimentos adicionais.
*sob a supervisão do jornalista Thiago Conceição.






























