Lula Abre A COP30 E Afirma Que Mudança Do Clima é “tragédia Do Presente”

Nesta segunda-feira (10), foi aberta oficialmente, em Belém, a 30ª Conferência das Partes (COP30) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). Pela primeira vez realizada na Amazônia, região que abriga a maior biodiversidade do planeta e desempenha papel essencial na regulação climática global, a conferência reúne chefes de Estado, cientistas e representantes da sociedade civil em torno do desafio de colocar novamente o tema das mudanças climáticas no centro das prioridades internacionais.

Durante a cerimônia de abertura, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância simbólica e política do evento ocorrer em solo amazônico. Em seu discurso, Lula afirmou que “a mudança do clima já não é uma ameaça do futuro, mas uma tragédia do presente”, defendendo uma ação global e coordenada para enfrentar os impactos crescentes da crise climática. Ele ressaltou que o furacão Melissa, no Caribe, e o tornado que atingiu o Paraná são exemplos recentes da gravidade da situação.

O presidente também lembrou que a Convenção do Clima retorna à sua “terra natal”, uma referência à Cúpula da Terra, realizada no Rio de Janeiro em 1992. Lula enfatizou que o objetivo agora é recuperar o entusiasmo e o engajamento daquele momento histórico, destacando que a Amazônia não deve ser vista como uma entidade abstrata, mas como o lar de cerca de 50 milhões de pessoas, incluindo mais de 400 povos indígenas.

Nos dias que antecederam a conferência, o Brasil sediou a Cúpula de Belém pelo Clima, onde foram lançadas iniciativas como o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre, que já arrecadou US$ 5,5 bilhões em anúncios de investimento, e firmados compromissos sobre manejo do fogo, ampliação dos combustíveis sustentáveis, combate ao racismo ambiental e valorização dos povos tradicionais.

Lula encerrou seu discurso com um apelo à ação e à esperança, pedindo que os países cumpram seus compromissos climáticos, acelerem a transição para fontes limpas de energia e coloquem as pessoas no centro da agenda ambiental. “O desalento não pode extinguir as esperanças da juventude. Devemos a nossos filhos e netos a oportunidade de viver em uma Terra onde seja possível sonhar”, concluiu o presidente.