A Polícia Federal indiciou nesta quarta-feira (20) o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por coação a autoridades responsáveis pela ação penal do golpe de Estado. O relatório também atribui aos dois o crime de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, ao avaliar que as ações miraram diretamente o Supremo Tribunal Federal e até o Congresso Nacional.
De acordo com a PF, mensagens extraídas do celular de Jair Bolsonaro revelam intensa produção de conteúdos para redes sociais em descumprimento a medida cautelar imposta anteriormente pelo Supremo. Áudios e conversas deletadas, recuperadas pelos investigadores, incluem trocas com Eduardo Bolsonaro e com o pastor Silas Malafaia — alvo de buscas nesta quarta-feira, mas que não foi indiciado.
Segundo o documento, esses registros reforçam a tentativa de articular pressões e intimidar autoridades judiciais. “As mensagens demonstram que as sanções articuladas dolosamente pelos investigados foram direcionadas para coagir autoridades judiciais do Supremo Tribunal Federal, com a finalidade de impedir eventual condenação criminal do ex-presidente Jair Bolsonaro e demais réus”, descreve a PF.
Eduardo Bolsonaro se licenciou do mandato e se mudou para os Estados Unidos, onde, de acordo com os investigadores, buscou apoio junto ao governo Donald Trump para pressionar contra o processo. Nos últimos meses, Trump anunciou medidas como o tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros.
Já Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar por decisão do ministro Alexandre de Moraes, justamente por causa das tentativas de coação identificadas. Esse inquérito ainda não resultou em denúncia da Procuradoria-Geral da República.
Paralelamente, Bolsonaro será julgado no Supremo em 2 de setembro, como réu no processo que apura a trama golpista de 2022, que culminou nos ataques de 8 de janeiro de 2023.





























