Um carro blindado, que pode ter sido usado pelo deputado estadual Kleber Cristian Escolano de Almeida, conhecido como Binho Galinha (PRD), foi apreendido nesta quarta-feira (1º) em Feira de Santana. O veículo foi encontrado em uma área de mata, com a chave escondida em um dos pneus, o que levou a Polícia Federal a acreditar que seria recuperado por alguém ligado ao parlamentar.
Binho Galinha é suspeito de comandar uma milícia envolvida em lavagem de dinheiro há mais de uma década e está foragido desde as primeiras horas do dia, quando sua esposa, Mayana Cerqueira da Silva, e o filho, João Guilherme Cerqueira da Silva Escolano, foram presos junto a outras sete pessoas.
A PF informou que o automóvel apreendido possuía giroflex e sistema de comunicação por satélite. O material foi encaminhado para o pátio da corporação, em Salvador, onde se concentram as buscas pelo deputado.
De acordo com o Ministério Público da Bahia, as investigações identificaram que Binho Galinha lavava dinheiro através de empresas de fachada e da venda de peças de carros roubados em sua loja de autopeças, a Tend Tudo, em Feira de Santana. Em um dos imóveis, foram encontradas milhares de peças automotivas.
Auditores detectaram que a empresa do parlamentar recebeu R$ 40,7 milhões sem lastro suficiente de notas fiscais. Houve ainda a emissão de uma nota de R$ 3 milhões referente à venda de mil cabines de caminhão, sem comprovação de compra ou fabricação do material. “Os indícios revelam movimentação financeira incompatível com a receita declarada”, apontaram os relatórios.
O caso passou por sucessivas decisões. Em junho, o Superior Tribunal de Justiça anulou os efeitos da operação por falhas na obtenção de relatórios do Coaf, mas o Supremo Tribunal Federal reverteu a decisão e manteve a legalidade das provas. O ministro Cristiano Zanin destacou que “as garantias constitucionais não foram violadas”.
Em setembro, audiências de instrução ocorreram no Fórum Desembargador Filinto Bastos, em Feira de Santana, mas a última sessão foi adiada após ausência de uma testemunha de defesa.
Novos desdobramentos
No final de setembro, o deputado foi visto por pouco tempo na Assembleia Legislativa, mas voltou a desaparecer. Em outubro, a PF deflagrou a Operação Anômico, um desmembramento da El Patrón, que resultou em nove prisões, 18 mandados de busca e bloqueio de R$ 9 milhões. Quatro policiais militares foram detidos e encaminhados ao Batalhão de Choque da PM.
Segundo a PF, mesmo sob medidas cautelares, Binho Galinha manteve a liderança do grupo, utilizando empresas de fachada e laranjas para movimentar recursos. O STF reforçou que os crimes atribuídos a ele são, em grande parte, anteriores ao mandato e não guardam relação com a função parlamentar, o que desloca a competência para o juízo de primeiro grau.
A presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, deputada Ivana Bastos (PSD), afirmou em nota que, assim que houver notificação oficial, o Conselho de Ética será acionado para avaliar o caso “com transparência e imparcialidade”.
Já o advogado de defesa, Robson Oliveira, disse ter recebido o mandado de prisão e que comunicaria o deputado sobre a decisão.


































