Quatro policiais — dois civis e dois militares — morreram durante a megaoperação das forças de segurança nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, deflagrada nesta terça-feira (28). A ação, que integra a Operação Contenção, é considerada a mais letal da história do estado, com mais de 130 mortos.
De acordo com o balanço oficial divulgado pelo governo fluminense na noite de ontem, 64 pessoas haviam morrido, mas moradores levaram mais de 70 corpos para a Praça São Lucas, na Penha, na madrugada desta quarta (29). Segundo o secretário da PM, coronel Marcelo de Menezes Nogueira, esses corpos não constavam nos números oficiais.
A operação mobilizou 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar e resultou em 81 prisões, além da apreensão de 93 fuzis, pistolas, motocicletas e drogas.
Entre os feridos, está o delegado-adjunto da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), Bernardo Leal, baleado na coxa durante os confrontos. Ele passou por cirurgia e segue internado em estado grave.
Os quatro agentes mortos foram:
- Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, 51 anos, conhecido como Máskara, comissário da 53ª DP (Mesquita);
- Rodrigo Velloso Cabral, 34 anos, da 39ª DP (Pavuna);
- Cleiton Serafim Gonçalves, 42 anos, 3º sargento do Bope;
- Heber Carvalho da Fonseca, 39 anos, 3º sargento do Bope.
De acordo com a Polícia Civil, Marcus e Rodrigo foram atingidos por tiros na chegada das equipes ao Complexo da Penha, quando traficantes do Comando Vermelho (CV) reagiram e montaram barricadas em chamas. Já os sargentos Cleiton e Heber foram baleados em confronto na Vila Cruzeiro, durante o avanço das tropas pela comunidade.
Repercussão e homenagens
Em nota, a Secretaria de Polícia Militar e o Bope lamentaram as mortes, destacando o “compromisso, coragem e lealdade” dos militares. Marcus Vinícius, o Máskara, tinha 26 anos de carreira e havia sido promovido a comissário na véspera da operação. Rodrigo Velloso, por sua vez, estava na corporação havia menos de dois meses. Cleiton Serafim e Heber Fonseca, ambos do Bope, eram casados e deixam filhos.
Operação Contenção
A megaoperação foi deflagrada após mais de um ano de investigações da DRE para cumprir 100 mandados de prisão contra lideranças do Comando Vermelho. Durante os confrontos, criminosos usaram drones para lançar bombas, incendiaram barricadas e bloquearam vias importantes da cidade, como a Linha Amarela, a Grajaú-Jacarepaguá e a Rua Dias da Cruz, no Méier. As vias foram liberadas na manhã desta quarta-feira (29), após mais de 12 horas de bloqueio.

































