O terceiro Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2025, lançado nesta quinta-feira (28) em Brasília pelo Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, aponta avanços em 25 de 43 indicadores analisados, especialmente nas áreas de meio ambiente, trabalho, educação e saúde. Apesar disso, desigualdades estruturais por raça, gênero e região persistem no país.
Entre os destaques ambientais, o Brasil reduziu as emissões de CO₂ per capita de 12,4 tCO₂e em 2022 para 10,8 tCO₂e em 2023, e a área desmatada caiu 41,3% entre 2022 e 2024, embora estados como Acre, Roraima e Piauí tenham registrado aumento. No campo educacional, o acesso a creches para crianças de 0 a 3 anos subiu de 30,7% para 34,6%, e a taxa de escolarização do ensino médio passou de 71,3% para 74%. No ensino superior, a proporção de jovens matriculados cresceu de 20,1% para 22,1%, com mulheres não-negras superando consistentemente os homens.
No mercado de trabalho, o rendimento médio cresceu 2,9% em 2024, alcançando R$ 3.066, e a taxa de desocupação caiu para 6,6%, com maior redução entre mulheres e população negra. Ainda assim, os 1% mais ricos continuam ganhando 30,5 vezes mais que os 50% mais pobres. Em termos de segurança, a taxa de homicídios entre jovens de 15 a 29 anos caiu de 49,7% para 45,8%, e a mortalidade materna reduziu-se de 113 para 52 óbitos a cada 100 mil nascidos vivos entre 2021 e 2023, embora Norte e Nordeste apresentem resultados acima da média nacional.
Entre os retrocessos, o relatório destaca aumento da violência de gênero, com 1.492 feminicídios em 2024, e crescimento da mortalidade infantil e de mortes evitáveis, especialmente entre negros e jovens. A desigualdade racial também se manifesta na educação infantil, maternidade precoce e acesso a políticas públicas. Problemas graves afetam povos indígenas, incluindo assassinatos, desnutrição infantil e contaminação ambiental por mercúrio.
O relatório reforça a necessidade de políticas públicas estruturantes, justiça tributária e investimentos sociais e econômicos para reduzir as desigualdades, segundo Clemente Ganz Lúcio, integrante do Pacto Nacional. “Queremos que esses resultados alimentem debates e orientem ações para superar desigualdades”, afirmou.
O Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades reúne organizações da sociedade civil, sindicatos e instituições como Oxfam Brasil, Instituto Ethos, Instituto de Referência Negra Peregum e Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos, entre outros.




























