Por Celine Souza*
Pela segunda vez em menos de 15 dias, o rompimento de uma adutora da Embasa provocou alagamento na Rua das Flores, em Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. O problema, que já havia ocorrido em 15 de setembro, voltou a atingir moradores hoje, causando prejuízos materiais e trazendo riscos para a comunidade.
De acordo com relatos, a lama invadiu casas e chegou a até uma escola da região. “Estamos recolhendo baldes e mais baldes de lama, não temos condições de viver assim”, contou uma moradora.
O professor Antônio, proprietário do Educandário Magia das Cores e morador da Rua das Flores, reforça que a situação é antiga e se repete sem solução.
“Essa situação é realmente muito grave e já se arrasta há anos sem solução definitiva. Este é o segundo rompimento da adutora da Embasa na região – o primeiro ocorreu na Rua Geraldo Magela, e agora, novamente, a Rua das Flores foi a mais atingida. Nossa rua nunca teve drenagem pluvial, muito menos pavimentação asfáltica. Tudo que existe aqui foi feito com esforço e recursos dos próprios moradores, e ainda assim seguimos esquecidos. A escola foi uma das mais prejudicadas mais uma vez, e há imóveis condenados pela Codesal, com famílias impedidas de entrar, porque a água e a lama invadiram tudo. Já fizemos diversos pedidos à Prefeitura para calçamento e asfalto, mas nunca fomos atendidos. Agora, entendemos que não há outra saída a não ser mover uma ação pública junto ao Ministério Público e à Defensoria, exigindo a drenagem e pavimentação da rua com urgência.”
Imagens enviadas mostram ruas cobertas de barro e famílias tentando salvar móveis e eletrodomésticos. Além dos transtornos, há preocupação com a saúde e com os danos estruturais às residências.
No primeiro rompimento, a Embasa havia informado que o vazamento havia sido contido e que o reparo seria iniciado em seguida. Agora, a população cobra respostas efetivas para evitar que o problema continue se repetindo.
A reportagem entrou em contato com a Embasa e com a Prefeitura de Salvador para questionar quais providências serão adotadas. Entre as demandas estão: envio de retroescavadeira para retirada da lama, carro-pipa para higienização, pavimentação da rua, levantamento dos prejuízos sofridos pelos moradores e ressarcimento das perdas.
Procurada, a Prefeitura de Salvador respondeu em tom de pergunta se esse não seria um problema da Embasa. A reportagem voltou a questionar o município sobre a responsabilidade da gestão em fiscalizar as obras realizadas pela concessionária na cidade, mas não houve retorno até o momento. Já a Embasa informou que equipes fecharam a rede para conter o vazamento e que o reparo seria realizado na manhã desta quinta-feira (2). Em resposta posterior, acrescentou que equipes da área social estão se deslocando para a região e que a higienização será realizada após a correção da rede e a regularização do abastecimento.
*sob supervisão da jornalista Cíntia Santos































