Semana Nacional de Educação Financeira começa nesta segunda-feira

Começou nesta segunda-feira (18) e vai até o dia 24 de maio a 13ª Semana Nacional de Educação Financeira. O tema desta edição é “Construindo um futuro com longevidade e prosperidade”. O objetivo da iniciativa, segundo o governo federal, é ajudar as famílias a tomar decisões financeiras sólidas e sustentáveis a longo prazo. Isso porque o desconhecimento sobre o assunto ainda é alto.

Cidadania financeira

O relatório mais recente do Banco Central (BC) sobre cidadania financeira, lançado no ano passado, mostra que os adultos bancarizados no Brasil chegaram a 175 milhões no final de 2024, um crescimento de 10% em relação a 2020. O número representa 96,4% da população adulta do país. No entanto, estar dentro do sistema bancário não significa saber lidar com as finanças. O estudo do BC aponta exatamente essa contradição.

Apesar da inclusão bancária ter crescido, o índice de conhecimento financeiro do brasileiro caiu entre 2020 e 2023. O Brasil, nesse quesito, está bem abaixo da média mundial, na posição 33, com impactos negativos na vida das famílias e no desenvolvimento do país.

Pelo estudo, o desconhecimento sobre juros simples é alto, com 87% das pessoas errando cálculos; seguido de juros compostos, com 53%; e diversificação de risco, com 42%.

O consultor financeiro Rogério Olegário diz que essa realidade é visível no dia a dia das famílias que ele atende:

“O nível de conhecimento financeiro ainda é muito baixo. É muito comum eu encontrar casais maduros, com famílias formadas, que nunca fizeram um orçamento doméstico. As famílias procuram a consultoria quando já estão muito endividadas. E um detalhe importante é que isso não tem nada a ver com a renda. Eu atendo pessoas com rendas de mais de R$ 50 mil por mês e vivendo mal, vivendo como pobre.”

Segundo o consultor, as famílias, em geral, fazem a gestão intuitiva do dinheiro:

“É muito comum eu ouvir frases assim: ‘Ah, eu recebo dez, gasto cinco’. E aí eu pergunto: ‘E o que você faz com a sobra?’. ‘Uai, eu gasto’. E isso mostra que, muitas vezes, aquilo que não é obrigação imediata, obrigatória, não é tratado como despesa. O dinheiro acaba sendo consumido por completo, sem que haja reservas, sem que as pessoas planejem investimentos nem nada. Falta gestão financeira clara, com definição antecipada sobre o que fazer com o dinheiro antes mesmo de recebê-lo.

Elas também não sabem diferenciar dívidas caras e baratas.

“A dívida não depende só da taxa de juros. O prazo tem um grande impacto. Além disso, é preciso analisar o efeito da prestação no orçamento familiar. Às vezes, uma dívida com juros menores pode ter uma parcela muito alta, comprometendo o orçamento mensal e levando a pessoa a contrair outras dívidas menores para cobrir o que falta no mês. Por isso, é fundamental observar o conjunto: taxa de juros, prazo e o impacto da parcela no orçamento mensal.”

Outra dificuldade é reconhecer bons investimentos.

“Se as pessoas soubessem reconhecer bons investimentos, nós não teríamos no nosso mercado poupança, títulos de capitalização, consórcios e aquela quantidade enorme de fundos nos bancos que rendem menos do que a taxa básica de juros do país. Então, falta educação financeira, falta conhecimento também em relação às questões sobre investimentos.”

Segundo Olegário, a falta de planejamento e as dívidas não são apenas uma questão matemática e econômica da família. As implicações financeiras e emocionais têm efeitos para a sociedade e também para o desenvolvimento do país.

Esse é o assunto da próxima matéria da série Educação Financeira.