Entenda o limite seguro de radiação em exames de imagem

Quando o médico solicita um exame de imagem, muita gente fica em dúvida sobre os efeitos da radiação. Há quem tenha receio, mas também quem admita não saber exatamente quais são os riscos. A aposentada Marise Santana é uma delas.

“Eu fico preocupada que é muito que fica toda hora pedindo para poder ver se como é que tá aqui dentro, essas coisas todas. Dá uma preocupação. Agora eu não sei quais são os riscos mesmo, não posso falar porque eu não sei.”

A cozinheira Ana Pereira também fica apreensiva.

“Sempre, principalmente exame de mama, que diz que que faz mal, né? Muita radiação para o organismo.”

Segundo o médico radiologista João Rafael Carneiro, raio-X, tomografia e mamografia utilizam radiação ionizante. Já a ultrassonografia e a ressonância magnética não.

“O primeiro método de diagnóstico por imagem foi a radiografia, e ele trouxe a possibilidade de a gente começar a ter diagnósticos olhando por dentro do corpo, vamos falar assim, sem precisar abrir, sem cirurgia. Porque, antes dos métodos de imagem, você, muitas vezes, para você ter um diagnóstico assertivo, você precisava fazer uma cirurgia para abrir e olhar. Cada vez que o exame de imagem vai evoluindo — hoje nós temos métodos com radiação, como radiografia, como tomografia, mamografia, mas também nós temos métodos que usam outros princípios físicos, como a ressonância magnética, como o ultrassom —, cada vez que o exame de imagem evolui, você precisa ser menos intervencionista para diagnosticar com precisão.”

A exposição à radiação é avaliada caso a caso e segue rigorosos protocolos de segurança.

“Porque a radiação ionizante pode, sim, causar mal ao ser humano, trazendo aí problemas de saúde, o câncer. Contudo, para isso acontecer, a gente tem que ter uma exposição a doses elevadas, que são doses, inclusive, que para a pessoa conseguir ter essa exposição, ela, de fato, tem que estar ali permanentemente exposta. Vou dar um exemplo: uma dose considerada segura, em média, são 50 milisiverts em um ano. Resultado: uma tomografia de abdômen, a gente vai estar falando aí em menos de 10. Ou seja, eu teria que eu estar fazendo aí mais ou menos umas, no mínimo, cinco tomografias de abdômen no ano.”

O maior risco pode ser adiar ou deixar de fazer um exame necessário.

“Quando a gente deixa de estar fazendo um diagnóstico precoce, a gente, muitas vezes, está perdendo a melhor janela de oportunidade do tratamento.”

Da Rádio Educadora FM, diretamente de Salvador, Rafael Lopes.


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