Operação Da PC Encontra 39 Internos Com Sinais De Tortura Em Clínica De Reabilitação Na RMS

A Polícia Civil da Bahia realizou, no fim da manhã desta quarta-feira (22), uma operação na clínica de reabilitação Terra Santa Videira, em Candeias, na Região Metropolitana de Salvador. Durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão, o gerente da unidade foi preso em flagrante pelos crimes de tortura e maus-tratos.

Segundo o delegado Marcos Laranjeira, titular da 20ª Delegacia Territorial de Candeias, os policiais encontraram um cenário degradante na clínica. De acordo com ele, 39 internos estavam em condições subumanas, apresentando sinais aparentes de lesões corporais e desnutrição. “Nos deparamos aqui com um cenário degradante. Notamos 39 internos, pessoas fragilizadas, em situações subumanas, com várias lesões corporais aparentes e estado de desnutrição. Diante disso, localizamos o gerente do estabelecimento e demos voz de prisão em flagrante pelos crimes de tortura e maus-tratos”, afirmou o delegado.

Ainda conforme a Polícia Civil, a clínica não possui autorização de funcionamento e a expectativa é de que o estabelecimento seja interditado.

Durante a operação, internos relataram uma rotina de agressões físicas, castigos e trabalho forçado. Um deles afirmou que foi amarrado logo após chegar à unidade. “Eu mesmo, quando cheguei aqui, fui amarrado por causa de serviço comunitário. Disseram que era obrigado a trabalhar. Me amarraram em uma cancela de madeira e fiquei de pé, da manhã até o meio-dia.”

Outro interno contou que pacientes eram agredidos quando se recusavam a trabalhar. “Se não fizéssemos o trabalho, éramos apanhados. Açoitados com varas, chicotes e palmatórias.”

Um terceiro relatou que era obrigado a trabalhar na construção civil por até 15 horas diárias. “Me forçavam a trabalhar de 5h da manhã até 8h da noite. Como sou pedreiro, se não trabalhasse, apanhava.”

A clínica Terra Santa Videira já era alvo de investigação por estar relacionada às mortes de Geovane Santana Lopes e Iago Marques Formiga.

Geovane foi internado pela família para tratamento contra dependência química. Segundo familiares, ele sofreu queimaduras graves dentro da unidade em dezembro de 2025, permaneceu hospitalizado por cerca de cinco meses e morreu em 4 de maio deste ano.

Já Iago Marques Formiga, de 33 anos, foi interno da clínica durante seis meses e, após receber alta, passou a atuar como monitor de pacientes e auxiliar em serviços da instituição. Ele desapareceu em 8 de maio e, 11 dias depois, foi encontrado morto, com marcas de tiros e o corpo parcialmente carbonizado às margens da BA-530, em Camaçari.

As investigações continuam para apurar as denúncias e identificar outros possíveis responsáveis pelos crimes.

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