São Paulo lidera número de processos por assédio eleitoral no trabalho

Uma pesquisa inédita sobre os casos de assédio eleitoral no ambiente de trabalho revelou que até meados deste mês de agosto, foram identificados 738 processos ajuizados sobre o tema. O estado de São Paulo liderou com o maior número de casos, representando cerca de 17,5% do total de ações.

Além da quantidade, o documento fez uma análise qualitativa dos processos para entender como a prática ocorre no cotidiano. Ao avaliar 138 processos cadastrados como “assédio eleitoral”, recolhidos a nível nacional, até dezembro de 2025, a pesquisa identificou que 92% das ações se configuram como assédio institucional, em que a própria organização permite, estimula ou legitima a prática do assédio eleitoral.

Outro aspecto que chamou atenção foi a prática do terror psicológico,  quando se cria narrativas catastróficas do que vai acontecer após o resultado da eleição. Esse ponto foi identificado em quase 82% dos casos. 

De acordo com o TST,  este tipo de assédio eleitoral acontece quando “empregadores, gestores, pessoas em posição de autoridade e até mesmo colegas tentam influenciar, constranger, ameaçar ou pressionar trabalhadores para que apoiem determinado candidato, partido político ou posição ideológica”. 

Quando o assédio é cometido no ambiente virtual, o Whatsapp aparece como o principal meio, sendo utilizado para práticas que vão desde a criação de grupos de propaganda política ao monitoramento das redes sociais dos funcionários.

Sobre o tempo de tramitação dos processos, a média é de 7 meses entre a apresentação da ação e a publicação da sentença na Justiça do Trabalho. Até a conclusão total da ação, o tempo de espera é de 9 meses.

Realizado pelo Centro de Pesquisas Judiciárias do Conselho Superior da Justiça do Trabalho e o Tribunal Superior do Trabalho, o levantamento utilizou dados referentes às demandas ajuizadas a partir de 2023, quando foi criado o marcador “Assédio Eleitoral” no sistema Processo Judicial Eletrônico.

Entre maio de 2023 e dezembro de 2025, foram examinadas 662 ações de assédio eleitoral. A maioria foram ajuizadas por pessoas físicas o que, segundo a pesquisa, indicaria que partiram de trabalhadores em busca de reparação. 

Para as Eleições de 2026, instituições relacionadas à defesa dos direitos trabalhistas e eleitorais promoveram a campanha de conscientização  “Aliança pelo Voto Livre e Secreto”. A ideia é disseminar conhecimento sobre o tema e a cidadania.

A Justiça do Trabalho reforça que indícios de assédio eleitoral identificados em ações trabalhistas devem ser comunicados aos Ministérios Públicos do Trabalho e Eleitoral. 

*Sob supervisão de Leila Santos


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