O Brasil decidiu rebaixar as relações diplomáticas com a Argentina. A partir de agora, as relações entre os dois países serão conduzidas em nível de encarregados de negócios, não mais por embaixadores. O embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, não vai mais retornar para a capital argentina, depois que Javier Milei voltou a ofender o presidente brasileiro durante uma entrevista a um canal de TV. A informação é da Agência Reuters.
Bitelli já havia sido chamado de volta ao Brasil, no final do mês passado, depois que Milei xingou Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, durante lançamento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
O embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi, também foi informado sobre a decisão de rebaixar o nível das relações diplomáticas entre os dois países.
Segundo o professor titular de relações internacionais da Universidade de Brasília, Roberto Goulart Menezes, o presidente argentino prioriza uma agenda ideológica de extrema direita em detrimento da parceria estratégica com o Brasil, resultando em uma crise diplomática sem precedentes.
“E a Argentina busca o caminho, né, de tentar negociar isoladamente com os Estados Unidos. Então, mostrando que a agenda prioritária de Milei não é o Mercosul, é que Milei precisa do Mercosul. Sem o Mercosul, a situação da Argentina seria pior ainda”.
De acordo com Roberto, também é necessário olhar para reação dos demais países do Mercosul e dos parceiros do bloco.
“Também é grave o que tá acontecendo, se pensarmos como que os outros parceiros do Mercosul estão vendo a situação. Em relação ao acordo do Mercosul e União Europeia, eh, foi separado, né, são três partes do acordo, a parte comercial já entrou em vigor, de certa forma, em maio deste ano, e o governo brasileiro precisa tá, assim como a Argentina, tá bem alinhado com todos os os demais membros do Mercosul, para poder de lado a lado ir tratando, né, enfim, com os parceiros europeus”.
A Argentina é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil. No ano passado, o comércio entre os dois países movimentou US$ 31 bilhões, uma alta de 13%. O saldo foi positivo para o Brasil em mais de US$ 5 bilhões. Entretanto, ao longo dos seis primeiros meses deste ano, as exportações do Brasil para a Argentina caíram mais de 19% e as nossas importações cresceram cerca de 4%.






























