A 13ª Semana Nacional de Educação Financeira segue até 24 de maio com o tema “Construindo um futuro com longevidade e prosperidade”. E quando se fala em futuro, é inevitável pensar nas nossas crianças e como ensiná-las a lidar com o dinheiro.
O brasiliense Rodrigo Paiva, de 50 anos, tem um exemplo para compartilhar. Ele estudou na Universidade de Brasília (UnB) e trabalha hoje nos Estados Unidos, na área comercial de uma empresa de inteligência artificial. A trajetória dele até lá foi marcada por estudo, empenho e pelo entusiasmo com a educação financeira, assunto que ele passou a estudar por conta própria de forma autodidata.
Tudo começou enquanto ele assistia à primeira grande crise da globalização financeira castigar o Brasil em 1997 e aprendia, na faculdade, sobre o poder dos juros compostos.
“O professor tava explicando juros compostos e como ele é nocivo ao longo dos anos, como uma empresa pode quebrar. Eu estudava Administração de Empresas na época. Naquele mesmo momento, tava tendo uma das crises dos tigres asiáticos, da Rússia, e o Brasil subindo os juros para se proteger. Aí eu parei e pensei: se eu colocar esse mesmo juros para trabalhar a meu favor, eu posso ganhar o dinheiro. Conectei os pontos e falei: quero ficar rico. E aí eu comecei a estudar.”
O que o Rodrigo aprendeu sozinho hoje ele ensina aos filhos, ajudando a organizar o dinheiro que eles recebem dele e da mãe. Tudo é colocado em três baldes. No primeiro, o dinheiro dos gastos próprios. No segundo, o investimento de renda fixa, com ganho baixo e certo, ou de renda variável, com ganhos altos, mas com risco de perdas. Claro que quem aplica o dinheiro é o próprio Rodrigo, mas quem decide onde – depois de consultar o papai – é a criança. Já o terceiro balde é o da ajuda, como explica Rodrigo:
“Dez por cento de tudo que eles ganham para que eles possam ajudar alguém. A comprar um sanduíche na rua para alguém que tá com fome, a comprar um casaco. E a gente trabalha muito de uma maneira lúdica e de uma maneira responsável. Quem não fizer a cama, perde dez dólares durante o mês. Quem fizer todos os deveres de casa, vai ganhar dez dólares. Então, aprende muito causa e consequência, e mostra para eles que eles podem ver o dinheiro deles crescendo ao longo do tempo de uma maneira motivadora, ou entendendo que renda variável pode impactar eles.”
Mas o exemplo da família Paiva é uma exceção no Brasil. Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostram que mais de 80% das famílias brasileiras estão endividadas. Além disso, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), quase um terço da população gasta mais do que ganha. De acordo com o Banco Central, esse cenário reforça a importância dos esforços em educação financeira promovidos por toda a sociedade. O Rodrigo tem feito a parte dele com os filhos.
Filha do Rodrigo: “O papai tem 1 milhão de reais no banco, no Treasury.”
Rodrigo Paiva: “Quanto é que é o juros?”
Filha do Rodrigo: “Os juros são 15%.”
Rodrigo Paiva: “Tá.”
Filha do Rodrigo: “E ganha… 15.000
Rodrigo: “150.000 reais?
Filha do Rodrigo: “150.000 reais, por ano”
Outra voz: “Uau, que maravilha!”
Rodrigo Paiva: “E é um bom investimento?”
Filha do Rodrigo: “Sim.”
Na experiência do Rodrigo, o ensino financeiro em casa fez os filhos entenderem o quanto é difícil ganhar e economizar dinheiro e que é preciso pensar bem antes de pedir ou gastar. Mas, para o pai, existe um outro ganho acima disso para os filhos que têm 11 e seis anos de idade:
“Eu tenho um de seis e uma de onze. Quando você vê o de seis conseguir comprar um casaco e entregar com o trabalho dele, o casaco para alguém que precisa, este sorriso de quem recebeu e o sorriso de quem deu vale mais do que qualquer dinheiro. E isso a gente só consegue com educação financeira.”
Para o Rodrigo, o impacto da gestão financeira vai além das questões pessoais e familiares.
“Eles entenderam que, se eles economizarem mais do que ganharem, eles podem ajudar mais. E até de uma maneira lúdica, existe uma competição saudável entre eles para ver quem é que consegue ajudar mais as outras pessoas, não gastando aquele dinheiro e usando para caridade. Com o tempo, o resultado prático, além de filhos melhores, nós temos cidadãos melhores e, vou mais além, nós nos tornamos pais melhores.”
Em uma palavra, Rodrigo define o impacto da gestão financeira na vida dele:
“Liberdade. Educação financeira te compra liberdade. Ela não te compra riqueza. Compra muito mais do que isso. Te compra liberdade que, no momento que você vai ficar doente, você não vai precisar diminuir o seu padrão de vida. Eu fiquei doente e não diminuí meu padrão de vida. O dinheiro em si, ele é a menor das virtudes que a boa educação financeira pode te dar. A maior das virtudes é a liberdade. A liberdade, inclusive, de ajudar quem precisa. Que aí é quando você coloca a educação financeira no seu potencial pleno.”
No site do Banco Central existem conteúdos sobre ensino financeiro, inclusive para crianças e adolescentes, e dicas de como sair do sufoco e como investir. Lá você também encontra cursos gratuitos sobre gestão de finanças pessoais, educação financeira nas escolas, além de séries de vídeos e cartilhas. Basta digitar www.bcb.gov.br/cidadaniafinanceira/cursos.

































