Operação da PF mira Ciro Nogueira em investigação sobre emenda do FGC

O senador Ciro Nogueira, do PP do Piauí, estava em casa quando a Polícia Federal chegou para cumprir um mandado de busca e apreensão no âmbito da 5ª fase da Compliance Zero. Foram levados celulares, ipads e documentos. Segundo a defesa, “não há preocupação com o que foi apreendido”.

De acordo com a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo,  Ciro Nogueira teria recebido vantagens indevidas de Daniel Vorcaro e usado o próprio mandato para beneficiar o banqueiro. Prova disso, segundo a Polícia Federal, seria a apresentação de uma emenda pelo senador ampliando a cobertura do FGC, que é o Fundo Garantidor de Crédito, de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. Depois da apresentação dessa emenda, Vorcaro teria dito: “saiu exatamente como mandei”. Mas, esse não seria um episódio isolado. A PF informou que  Vorcaro revisou minutas de projetos de lei de interesse dele e entregues à servidores ligados ao senador. O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, nega; diz que a relação entre os dois era normal:

“É natural que um representante, senador ou deputado, apresente medidas que ele julgue importantes para determinado setor. O Supremo já entendeu, em casos inclusive que nós atuamos, que os senadores, os deputados, de acordo com as suas convicções, de acordo com o seu trabalho, apresentam sim emendas que favoreçam diversos setores. Eu não posso dizer os motivos porque eu desconheço, eu sei tanto quanto vocês, talvez menos”.

Além de serem sócios em empresa, segundo a Polícia Federal, houve ainda pagamentos mensais recorrentes e de viagens internacionais, hospedagens, restaurantes, além de voos privativos. Uma empresa ligada à família do senador teria comprado por R$1 milhão  uma outra empresa avaliada em R$ 13 milhões. A defesa rebateu afirmando que a empresa da família há anos não foi criada para esse repasse de recursos.

O fato é que Ciro Nogueira está proibido de ter contato com outras pessoas investigadas na Compliance Zero, que é a do Caso Master, inclusive com o irmão, Raimundo Nogueira Lima. Raimundo também foi alvo da operação desta quinta-feira. Não foi preso, mas será monitorado por tornozeleira eletrônica. Ele é apontado como agente de sustentação formal e operacional do esquema vinculado ao núcleo familiar do senador. O único mandado de prisão nesta etapa foi direcionado a Felipe Cansado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro. Ele é apontado como operador financeiro e fazia a ligação entre o núcleo central do esquema e a execução.

A nossa reportagem está em contato com as defesas dos acusados