Pesquisa busca otimizar produção de biogás em aterros sanitários

Uma pesquisa apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) está desenvolvendo uma tecnologia que une inteligência artificial e biotecnologia para otimizar a produção de biogás em aterros sanitários. O projeto visa maximizar o aproveitamento de resíduos urbanos e impulsionar a geração de energia limpa, como detalha a Diretora de Administração e Finanças da Faperj, Luciana Lopes:

“Nós estamos falando do aproveitamento dos resíduos dos aterros para ampliar a produção de biogás, utilizando ferramentas de biotecnologia e inteligência artificial. Então, essa é uma pesquisa que tem um potencial alto para produzir, ao mesmo tempo, benefício ambiental, avanço tecnológico e resultado econômico. E é justamente essa capacidade de transformar ciência em solução que torna projetos como esse tão importantes para o desenvolvimento do nosso estado.”

O estudo analisa uma série de dados para identificar os fatores que influenciam a produção de metano, principal componente do biogás, e descobrir formas de tornar mais eficiente o desempenho dos poços de captação instalados nos aterros.

A tecnologia será testada em uma unidade em operação e poderá ser adaptada para diferentes locais. De acordo com o pesquisador Álvaro Freitas, a equipe vai avaliar as condições dos aterros para entender por que alguns poços produzem menos gás do que outros.

“Onde a inteligência artificial entra nesse trabalho? Nós precisamos entender quais são as famílias de bactérias que estão presentes dentro do aterro sanitário, as condições da matéria orgânica, as condições do ambiente em termos de temperatura, umidade, pH e uma série de outras presenças físico-químicas. E, misturando todos esses fatores, nós conseguimos estabelecer a melhor dosagem do nosso biocomposto para que ele seja inserido lá.”

Inteligência artificial

Outro aspecto destacado pelo pesquisador é a peculiaridade dos aterros nas diferentes regiões do país. Freitas explica que é nessa questão que o uso da IA será mais decisivo.

“O aterro sanitário presente em um estado da região Nordeste é diferente de um aterro sanitário presente no estado da região Sudeste, por exemplo. Então, entendendo as regionalidades, as características de cada aterro e as questões ambientais, nós conseguimos dosar melhor o nosso composto e fazer com que ele maximize aquela produção de metano dentro de um aterro.”

O biogás é gerado naturalmente durante a decomposição de resíduos orgânicos e pode ser usado na produção de energia elétrica. Após passar por tratamento e purificação, ele também pode ser transformado em biometano, um combustível renovável.

Com o aumento da quantidade de gás captada, cresce também o potencial de geração energética a partir do lixo que chega diariamente aos aterros sanitários. Além disso, a proposta pode fortalecer a gestão dos resíduos urbanos, combinando inovação, sustentabilidade e aproveitamento de uma fonte renovável de energia.


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