PF investiga esquema com desembargadores no Maranhão

No Maranhão, desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado participavam de um esquema de direcionamento de decisões para beneficiar partes em conflito, em troca de vantagens indevidas. O esquema está sendo investigado pela Polícia Federal (PF), que saiu às ruas em São Luís nessa quarta-feira (1º).

Ao todo, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O objetivo é juntar o inquérito que apura possíveis crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa, envolvendo decisões judiciais em litígio agrário milionário.

O esquema atrasava ou acelerava o trâmite de processos judiciais, influenciando na distribuição, entre outros desvios.

Os principais alvos da PF são dois desembargadores: Antônio Pacheco Guerreiro Júnior, já afastado por desvio de recurso para construção do Fórum de Imperatriz, interior do Maranhão; e Luiz de França Belchior Silva, localizado em Fortaleza e, agora, também afastado das funções.

Foi decretada a prisão preventiva do principal operador do esquema, além do afastamento de três assessores e uma servidora.

Seis pessoas passam a ter monitoramento eletrônico.

Entre os investigados também estão juízes estaduais, advogados, um empresário e um ex-deputado estadual.

Na operação, a PF encontrou armas e uma grande quantidade de maços de dinheiro.

Ao todo, foram sequestrados e bloqueados bens em até R$ 50 milhões.

Somadas, as penas podem chegar a 42 anos.

Além de São Luís e Fortaleza, os alvos foram gabinetes, escritórios de advocacia e pessoas jurídicas no interior do Maranhão, na capital paulista e em Lagoa Seca, Paraíba.

O Tribunal de Justiça do Maranhão informou que já afastou o desembargador suspeito e exonerou os quatro servidores comissionados.

Não conseguimos contato com as defesas dos dois desembargadores citados.