As mudanças na faixa de areia de quatro praias de Salvador serão acompanhadas por um novo sistema de monitoramento da Prefeitura. Iniciado nesta segunda-feira (26), o projeto piloto da Defesa Civil de Salvador (Codesal) abrange as praias do Clube Espanhol, do Cristo, do Farol da Barra e do Porto da Barra, com o objetivo de identificar alterações na costa e orientar ações preventivas.
O trabalho reúne imagens de satélite e medições topográficas de alta precisão. A proposta é acompanhar a evolução do litoral, identificar possíveis sinais de erosão e produzir informações que auxiliem no planejamento urbano e ambiental, além da proteção da infraestrutura próxima ao mar.
A escolha dos locais foi baseada em um estudo preliminar que identificou mudanças na linha de costa ao longo das últimas décadas. Também foram consideradas as características naturais de cada trecho e a relevância dessas praias para o turismo e a circulação de moradores e visitantes.
Segundo o diretor-geral da Codesal, Adriano Silveira, a iniciativa amplia os recursos tecnológicos disponíveis para acompanhar as transformações do litoral soteropolitano.
“É mais um investimento em tecnologia para a Defesa Civil de Salvador prestar um serviço melhor à comunidade, principalmente nas áreas costeiras. Esses recursos vão trazer mais informações para tomarmos decisões melhores e mais assertivas em benefício da população soteropolitana”, afirma.
Entre os recursos utilizados está a tecnologia GNSS RTK, sistema de posicionamento por satélite que recebe correções em tempo real e permite determinar coordenadas com precisão centimétrica. O equipamento possibilita registrar detalhes do relevo das praias e comparar os resultados de diferentes períodos.
A previsão é realizar levantamentos preferencialmente uma vez por mês, com medições extras quando houver eventos climáticos extremos.
O monitoramento também conta com um sensor instalado no Farol da Barra, que integra a estrutura de coleta de informações. Os dados obtidos por satélite serão analisados em conjunto com as medições feitas diretamente na faixa de areia.
“O sensor busca informações dos satélites da região e, junto com as medições em solo, fornece informações preciosas para a tomada de decisão. O equipamento permite identificar processos de erosão, estabilização ou acréscimo de sedimentos, para que possamos avaliar os possíveis efeitos sobre a população, o turismo e os equipamentos públicos municipais”, explica o diretor-geral.
A análise contínua é considerada essencial para compreender o comportamento das praias ao longo do tempo. De acordo com o oceanógrafo Gabriel Pugliese, coordenador do Centro de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil de Salvador (Cemadec), as condições da costa mudam conforme a atuação de fatores naturais.
“As praias estão em constante transformação pela ação das ondas, correntes e transporte de sedimentos. Com medições precisas e comparações ao longo do tempo, podemos identificar melhor os trechos que apresentam sinais de erosão e compreender como essas mudanças evoluem”, afirma Pugliese.
As informações coletadas serão organizadas em sistemas de informação geográfica, como o QGIS, e combinadas com imagens de satélite e técnicas de reconstrução do relevo submerso. A metodologia também permitirá analisar a morfologia costeira em locais com afloramentos rochosos.
Embora os primeiros levantamentos já forneçam dados sobre as condições das praias, a Codesal estima que será necessário pelo menos um ano de acompanhamento para formar uma série histórica consistente. O período permitirá observar variações sazonais e comparar o comportamento da faixa de areia em diferentes épocas.
Os dados produzidos deverão apoiar a identificação de trechos que exigem maior atenção, especialmente após ressacas, além de contribuir para medidas preventivas e para o planejamento da ocupação urbana e ambiental nas áreas próximas ao litoral.
Nesta etapa inicial, a execução do projeto está sob responsabilidade da Codesal. O órgão também mantém contato com a Universidade Federal da Bahia (Ufba) para avaliar possibilidades de colaboração.
A expansão do monitoramento para outras praias de Salvador poderá ocorrer gradualmente, de acordo com os resultados obtidos no projeto piloto e o planejamento das próximas fases.
Por enquanto, a iniciativa não prevê obras ou intervenções físicas nas praias. A Prefeitura também destaca a importância da participação da população na conservação desses ambientes, com medidas como evitar o descarte irregular de resíduos, preservar a vegetação de restinga e comunicar às autoridades casos de erosão acentuada ou danos em estruturas próximas ao mar.





























