Por Sophia Souza*
Num mundo cada vez mais digitalizado, a conta Gov.br passou a concentrar grande parte da vida civil dos brasileiros. Com um único login, é possível acessar serviços como INSS, Receita Federal, carteira de vacinação, Carteira Digital de Trânsito, assinatura de documentos e diversos outros sistemas públicos. A praticidade, no entanto, também acende um alerta sobre segurança digital.
Especialistas apontam que o compartilhamento indevido da senha pode abrir espaço para golpes e fraudes capazes de causar prejuízos financeiros, jurídicos e até patrimoniais. Dependendo do nível da conta, criminosos podem acessar dados pessoais, emitir e assinar documentos digitalmente, solicitar serviços públicos em nome da vítima, alterar informações cadastrais e até tentar realizar procedimentos ligados a imóveis, veículos e benefícios sociais.
Segundo Thiago Andrade, analista de cibersegurança, uma conta com nível ouro pode dar ao criminoso acesso a serviços extremamente sensíveis. “Em uma conta nível ouro, por exemplo, um atacante pode acessar e assinar documentos privados, e realizar pedidos de serviços públicos”, explica. O nível ouro é considerado o mais seguro dentro da plataforma Gov.br e utiliza mecanismos como autenticação em múltiplos fatores e reconhecimento facial para confirmar a identidade do usuário. Ainda assim, especialistas reforçam que a principal proteção continua sendo o cuidado do próprio cidadão com os dados de acesso.
Idosos e pessoas com menos familiaridade com tecnologia estão entre os grupos mais vulneráveis a esse tipo de fraude, principalmente por terem mais dificuldade em identificar golpes virtuais e tentativas de roubo de dados.
O crescimento acelerado dos serviços digitais no Brasil também contribuiu para o aumento das tentativas de golpe. Para o especialista, a expansão das plataformas online trouxe benefícios importantes, mas ampliou a exposição da população aos crimes virtuais. “O Brasil está na vanguarda da adoção digital no mundo e isso traz tanto benefícios quanto malefícios. A superfície de ataque para atacantes cresce num ritmo muito maior do que as campanhas são criadas; um exemplo disso é o Pix: adotado rapidamente, enquanto as medidas de segurança foram evoluindo com o tempo.”, destacou Thiago.
A recomendação é evitar compartilhar a senha por aplicativos de mensagem ou e-mail, manter os dados cadastrais atualizados e ativar a autenticação em dois fatores. Nos casos em que advogados, contadores ou procuradores precisem acessar a conta para realizar algum serviço, a orientação é que exista autorização formal explicando exatamente qual será a finalidade do acesso.
Os cidadãos que desejarem saber mais sobre como funciona e a importância de não compartilhar a senha da conta Gov.br basta acessar o portal do governo federal.
*com supervisão do jornalista Thiago Conceição.































