Super El Niño Pode Provocar 13,3 Mil Mortes No Brasil; Bahia Tem Previsão De 1,2 Mil

Por Michel Cabral*

O relatório Climate Impact Lab, elaborado por pesquisadores das universidades de Chicago e Berkley, nos Estados Unidos, divulgado este mês, estimou que o super El Niño poderá matar mais de 450 mil pessoas em todo o mundo, com o aumento do calor nos próximos seis meses. No Brasil, os cientistas indicam uma previsão de 13 mil mortes associadas ao aquecimento das águas do Pacífico.

O levantamento aponta que as temperaturas médias globais sobre as áreas terrestres podem ficar 1,2 °C acima do normal nos próximos meses. O fenômeno também deve aumentar em 44% a ocorrência de dias de calor extremo em comparação com um ano considerado normal.

De acordo com o relatório, os impactos mais intensos devem ocorrer no Sul Global. A estimativa considera mortes adicionais relacionadas ao calor provocado pelo El Niño e não inclui, nesse cálculo, possíveis óbitos decorrentes de outros impactos associados ao fenômeno, como secas, incêndios e inundações.

Impactos do Super El Niño na Bahia

No recorte estadual utilizado nesta reportagem, a Bahia tem uma estimativa de 1.200 mortes em decorrência do calor extremo ao longo dos seis meses analisados. Além do aumento das temperaturas, os possíveis impactos para a Bahia incluem chuvas intensas em áreas do litoral e efeitos sobre a agricultura nas regiões Norte e Oeste do estado.

Em Salvador, os pontos de maior preocupação são as ondas de calor e as chuvas. O Portal Taktá entrou em contato com a Defesa Civil de Salvador (Codesal) para entender como a cidade se prepara para os efeitos do Super El Niño.

Segundo Adriano Silveira, diretor-geral da Codesal, afirmou que a cidade pode ter temperaturas mais elevadas e mudanças no comportamento das chuvas, podendo registrar eventos intensos de precipitação em um curto espaço de tempo. 

A Defesa Civil também aponta os desafios da monitoração das formações de chuva e dos aquecimentos previstos. “Temperaturas mais altas ampliam os desafios da Defesa Civil, exigindo monitoramento não apenas das chuvas, mas também de ondas de calor e outros eventos extremos relacionados às mudanças climáticas, afirma Silveira.

Silveira também destaca que existem investimentos em obras e sistemas de alarmes na cidade. “Salvador vem investindo em obras de contenção, drenagem, ampliação da rede de monitoramento, sistemas de alerta e planejamento urbano voltado à redução de riscos, fortalecendo a resiliência da cidade”.

O diretor-geral também reforça o papel dos cidadãos em acompanhar alertas emitidos pela Defesa Civil e sinais visíveis de mudança no tempo e em movimentações no solo. “A população tem um papel fundamental. É importante acompanhar os alertas da Defesa Civil, evitar áreas de risco durante chuvas fortes e comunicar qualquer sinal de instabilidade, como rachaduras ou movimentação de solo”, declara Adriano.

*com supervisão da jornalista Cíntia Santos

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