Vandalismo Destrói Obras Do Caminho Da Fé E Prefeitura Gasta R$ 200 Mil Em Restauração Em Salvador

Quem passa pelo Caminho da Fé, na Cidade Baixa, talvez nem imagine que boa parte das obras instaladas no local precisou ser refeita após uma sequência de furtos e atos de vandalismo. Desde a inauguração do corredor religioso e turístico, peças foram arrancadas, pichadas e danificadas, obrigando a Prefeitura de Salvador a investir cerca de R$ 200 mil na recuperação do espaço.

O valor representa aproximadamente um terço dos R$ 603 mil gastos pelo município com restauração de monumentos no ano passado. Das 28 peças produzidas pelo artista plástico Juarez Paraíso, com participação de outros 14 artistas, 22 precisaram ser refeitas e reinstaladas após serem furtadas ou destruídas.

Segundo a Fundação Gregório de Mattos (FGM), além das obras de arte, 14 totens de madeira com base de granito também foram alvo de depredação. Os equipamentos foram arrancados, riscados, pichados e até utilizados como depósito de lixo. As peças restauradas foram entregues novamente em janeiro deste ano.

Inaugurado em 2020, o Caminho da Fé liga o Santuário Santa Dulce dos Pobres à Basílica Santuário Senhor do Bonfim, em um percurso de 1,1 quilômetro pela Avenida Dendezeiros. O espaço reúne obras que retratam a história de Santa Dulce e a devoção ao Senhor do Bonfim, além de contar com iluminação em LED, mobiliário urbano e nova infraestrutura.

Diante dos sucessivos casos de vandalismo, a Prefeitura abriu o processo de tombamento das obras para reforçar a preservação do patrimônio artístico. Aos 91 anos, Juarez Paraíso lamentou os ataques às peças e afirmou que espera que o tombamento ajude a proteger o acervo. “É preciso zelar pelo tesouro artístico que é de toda a população”, declarou o artista.

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