Os municípios das regiões Sul e Sudeste lideram o ranking nacional de qualidade de vida medido pelo IPS Brasil, Índice de Progresso Social 2026. Na outra ponta, a região Norte reúne a maior parte dos municípios com os piores desempenhos.
A avaliação dos 5.570 municípios brasileiros foi baseada em 57 indicadores sociais e ambientais, organizados em três categorias: necessidades humanas básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades.
Divulgado nesta quarta-feira (20), o índice foi desenvolvido a partir de dados públicos atualizados, por meio de uma parceria entre as organizações sociais Imazon, Fundação Avina, Amazônia 2030, Centro de Empreendedorismo da Amazônia e Social Progress Imperative.
A pesquisadora Melissa Wilm, coordenadora do levantamento, aponta os desafios regionais e como as desigualdades estão presentes em todas as regiões do país.
“A concentração de municípios críticos ficou para a região da Amazônia Legal, levado principalmente pelos temas de qualidade do meio ambiente. E o que chama muita atenção quando a gente olha o mapa do Brasil é que todos os estados têm desigualdades, dentro do próprio Estado. Então não tem nenhum que seja um Estado tão bom que ele é homogêneo em todos os seus desempenhos ou algum que seja tão ruim que seja também homogêneo ali nos seus resultados ruins”.
O IPS Brasil 2026 mostra que o país alcançou uma pontuação média de 63,4, em uma escala de 0 a 100.
Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, aparece como a cidade brasileira com melhor qualidade de vida em 2026, com 73,1 pontos. Uiramutã, em Roraima, ocupa o último lugar, com 42,44 pontos.
Em relação às capitais, Curitiba aparece no topo do ranking, seguida por Brasília, São Paulo, Campo Grande e Belo Horizonte. Com os piores desempenhos, aparecem Porto Velho, Macapá, Maceió e Salvador, nesta ordem.
A pesquisadora Melissa Wilm explica que o PIB, Produto Interno Bruto, que é a soma de todos os bens e serviços produzidos em um determinado período, não explica sozinho o progresso social das cidades brasileiras.
Além disso, ela afirma que, mesmo com investimentos, população e territórios semelhantes, há diferenças marcantes entre as cidades, o que reforça o papel da gestão na transformação de recursos em bem-estar.
A coordenadora da pesquisa cita como exemplo as diferenças entre Duque de Caxias (RJ) e São Bernardo (SP).
“São dois municípios que têm uma condição semelhante ali: ficam em região metropolitana, tem uma área industrial, tem um tamanho semelhante, tem população semelhante, tem um PIB semelhante e no entanto eles têm uma diferença muito grande de desempenho no IPS Brasil, o que demonstra que gestores e políticas públicas elas fazem toda a diferença e é isso que marca o resultado do IPS Brasil”.
Melissa Wilm aponta ainda como o Brasil avançou em relação à edição anterior do IPS Brasil.
“A gente teve um avanço muito importante de 2025 para 2026 no tema de acesso à informação e comunicação, que é aquele que trata de acesso a tecnologias, internet. Também a gente teve avanços em segurança pessoal e educação básica e a gente teve quedas piores nos temas de saúde, bem-estar e inclusão social.”
O IPS também avalia o desempenho médio dos estados brasileiros. Distrito Federal, São Paulo e Santa Catarina foram os mais bem colocados. Na outra ponta, Pará, Maranhão e Acre.
Mais informações sobre esse levantamento podem ser consultadas no endereço ipsbrasil.org.br


































